25/12/2020

O verdadeiro retrato de Caldéron de la Barca

O verdadeiro retrato de Pedro Calderón de la Barca (Madrid, 1600-1681) , não corresponde ao quadro que se encontra no Museu Lázaro Galdiano de Madrid (imagem 1). Esta imagem foi reproduzida, erroneamente, em várias publicações. No entanto foi preservada uma fotografia do retrato que corresponde ao poeta e dramaturgo. 
A imprensa e o desenvolvimento da gravura deram origem aos designados livros de ícones primeiro e, posteriormente, à inclusão de retratos gravados nas obras dos grandes autores. O que permitiu conhecer efígies de humanistas como Erasmo, Thomas More, entre outros. Os pintores também deram contribuíram com retratos de autores como Francisco de Quevedo, Luís de Góngora ou Lope de Vega, a par de outras falsas, mas generalizadas, como Miguel de Cervantes.
 No quadro do museu Museu Lázaro Galdiano o personagem aparece com um breviário nas mãos e olhando com um gesto severo. Mas em 1979 o museu reconheceu que era uma confusão. Mesmo assim, as cópias continuaram a ser feitas, patrocinadas porque a crítica calderoniana aceitava a imagem como verídica. Mas este não é o único retrato que existe. Um retrato pintado antes de 1658 desapareceu por três séculos e foi destaque, em 1992, na exposição Portraits of Madrid, Villa y Corte. Era obra de Antonio de Pereda e a pintura mostrava Calderón na casa dos cinquenta e vestido de padre. 
Um terceiro retrato foi pendurado no túmulo da extinta igreja de San Salvador (imagem 2), em Madrid, onde Calderón foi sepultado em 1681 e da qual era pároco. Esta obra foi atribuída a Juan de Alfaro e foi transferida para a igreja de San Pedro los Naturales, mas também desapareceu em agosto de 1936 quando o templo foi queimado, como muitos outros no contexto da guerra civil ―incluindo a paróquia de Nuestra Señora de los Dolores― onde seu corpo está, supostamente, sepultado. No final do século XIX esta pintura foi fotografada e uma cópia dessa encontra-se no Arquivo Moreno, do Instituto do Património Cultural da Espanha, e cujas características coincidem exatamente com as apresentadas em uma litografia da obra realizada por J. Laurent por volta de 1860. Ambas as imagens, a pintura fotografada e sua litografia quase exata de 1881, podem ser consideradas verdadeiras efígies de Calderón de la Barca.
Imagem 1 - Quadro do Museu Lázaro Galdiano de Madrid, erroneamente identificadacomo o retrato de Caldéron de la Barca

Imagem 2 - Fotografía do retrato de Calderón de la Barca da Igreja de San Pedro de los Naturales, 1893.

02/09/2020

Algumas villae do século IV na Lusitania, segundo Jorge Alarcão: Cardílio, Milreu e Torre de Palma

Na villa de Cardílio (Torres Novas), a remodelação do séc. IV terá consistido fundamentalmente na destruição das primitivas termas, que se achavam do lado noroeste, e na edificação de um novo complexo termal, agora do lado sudoeste.

A entrada na residência far-se-ia por [1]. À esquerda ficavam duas grandes salas, talvez intercomunicantes. Infelizmente, não sabemos por que lado tinham acesso. Se a entrada nelas se fazia por [1], podemos pensar que o proprietário recebia aqui quem viesse apenas tratar de negócios e quem não quisesse admitir na privacidade da sua residência. O destino das salas poderia ser outro se o acesso se fizesse pelo corredor a oriente. O peristilo tinha um espaço central ajardinado e debruado por um canal: a água que neste corria expandia-se em quatro angras simétricas.
O mosaico da sala [2] tem uma legenda: Viventes Cardilium et Avitam felix turre, “Cardílio e Avita vivam felizes na torre” ou “A torre será feliz enquanto viverem Cardílio e Avita”. Turris, “torre”, seria o nome próprio da villa de Cardílio ou um nome comum que poderia aplicar-se, no séc. IV, a qualquer villa de grandes dimensões? Noutras villae do séc. IV observam-se efetivamente torres; não é, porém, o caso da villa de Cardílio, onde não é pelo menos óbvia a existência de qualquer torre.
Do lado oposto do peristilo, em [3], havia um ninfeu. De um dos cantos do peristilo partia um corredor que levava a um átrio [4]. Este era o centro da parte mais íntima da casa, cuja organização exata desconhecemos por não ter sido prosseguida, deste lado, a escavação.
A grande destruição que sofreu o lado sul da residência torna problemática a sua reconstituição. Parece-nos possível imaginar aqui diversos compartimentos em torno de um pátio a céu aberto. Neste caso teríamos um “apartamento” para algum filho casado, algum parente próximo ou alguma família visitante. Em muitas das villae do séc. IV, o número de aposentos excede largamente o que seria necessário para alojar uma família nuclear, mesmo numerosa. Talvez fosse comum os proprietários viverem com algum filho casado e com descendência própria, ou com algum irmão ou irmã (também com seus filhos). Os grandes proprietários visitar-se-iam, porém, com frequência, não em visita de horas, mas para permanecerem uns dias. Qualquer destas hipóteses explicará o grande número de alojamentos e a organização destes, como na villa de Cardílio, em “unidades” com alguma autonomia. Reunir-se-iam todos no mesmo triclínio para as refeições, ou nas termas, para o banho, mas retirar-se-iam, à noite, para aposentos que não ficavam contíguos aos do proprietário.
No canto sudeste do peristilo, uns degraus dão acesso a uma área um pouco mais elevada que não foi escavada. Não sabemos o que existiria aí. A pars rustica da villa de Cardílio foi localizada a cerca de 60 metros a sul da pars urbana, mas foi pouco o que dela se escavou.
 
A conservação do peristilo original em villae remodeladas no séc. IV observa-se igualmente em Milreu (Faro), Torre de Palma (Monforte), Torre Áquila, La Cocosa, Monroy ou La Sevillana (estas quatro na província de Badajoz).
 
Em Milreu, a villa foi renovada no séc. IV com assentamento de novos mosaicos, sem que a planta do séc. III tenha sofrido substanciais alterações. Na segunda metade do séc. IV construiu-se, do lado sul, um sofisticado templo.
 
Se nas villae de Cardílio e de Milreu o visitante acedia à pars urbana sem ter de passar pela pars rustica, é outra a organização de Torre de Palma, como se o proprietário tivesse gosto em mostrar a quem o visitasse, e logo desde a entrada, que era dono de vastas terras, grande criador de cavalos, produtor de vinhos e senhor de muitos criados de lavoura.

Entrava-se na villa entre as cavalariças [1], à direita, e o lagar e adega [2], à esquerda, e acedia-se a um
vasto terreiro, trapezoidal, com cerca de 80 m de comprimento e 40 de largura máxima. Seria aqui
grande a azáfama em tempo de colheitas.
Deste terreiro passava-se a um outro, menor, [4]. Apesar de rodeado por uma colunata, não podemos
classificá-lo como peristilo: era antes um jardim, no qual havia um templete.
A parte residencial da villa ficava do lado norte deste jardim. As divisões de mais aparato desenvolviam-
se em torno de um peristilo [5] e nelas, pelos seus mosaicos, o proprietário mostrava que era,
para além de dono de grande herdade, também homem culto e leitor dos clássicos. Um outro peristilo,
menor [6], centrava os aposentos mais íntimos.
Do lado oposto do jardim ficava a residência do villicus ou feitor [7].
Na segunda metade do séc. IV construiu-se uma basílica cristã [8] a cerca de 200 m do centro da pars
urbana. Na mesma data poderá ter sido destruído o templete do jardim.

 

Planta da Villa Cardílio





Planta da Villa de Milreu


Templo da Villa de Milreu

Planta da Villa de Torre de Palma









O “camarada Duch” e o terror dos Khmer Vermelhos

Kaing Guek Eav, conhecido por “camarada Duch”, o principal carrasco do regime de Polt Pot no Camboja, morreu no dia 3 de setembro de 2020, aos 77 anos, no Hospital da Amizade Khmer-Soviética de Phnom Penh. O antigo chefe da prisão Tuol Sleng (S-21), tornou-se, em 2010, no primeiro a ser condenado pelos crimes dos Khmer Vermelhos por um tribunal internacional. Foi considerado responsável pelo assassínio de pelo menos 15 mil cambojanos naquela prisão e condenado a prisão perpétua.
Os Khmer Vermelhos, que tinham como principal líder Polt Pot (1925-1998), foram um grupo maoista responsável pela morte de pelo menos 1,7 milhões de pessoas, um quarto da população do Camboja, entre 1975 a 1979.
Enquanto chefe da prisão de Tuol Sleng, Duch coordenou e documentou a tortura e execução de milhares de homens, mulheres e crianças. Os prisioneiros eram obrigados a fazer confissões detalhadas sobre a sua falta de lealdade ao regime, muitas delas falsas, em desespero para se salvarem, denunciando amigos e familiares.
Os guardas da prisão de Tuol Sleng, sobretudo adolescentes oriundos de meios pobres, eram instruídos a espancar os cambojanos considerados “traidores” ou “contra-revolucionários”. As suas vítimas eram, por isso, sobretudo membros ou simpatizantes do governo de Lon Nol, deposto pelos Khmer Vermelhos em 1975. O regime Khmer chegaria ao fim quatro anos depois, com intervenção das tropas vietnamitas.

Kaing Guek Eav numa sessão do julgamento, em 200.

19/10/2019

Resumos de História A 11.º Ano

O livro escolar Resumos de História A 11.º ano, da autoria de Lia Ribeiro e António Ribeiro, com a chancela Sebenta da Leya Editora, apresenta resumos de todos os conteúdos essenciais da disciplina de História A de acordo com as aprendizagens essenciais.
Os conteúdos e os conceitos estruturantes da disciplina são expostos de forma rigorosa, com linguagem clara e acessível aos alunos. 
Trata-se de um auxiliar completo e estruturado que garante uma adequada preparação para os testes de avaliação e para o Exame Nacional.
- Resumo de todos os conteúdos essenciais
- Linguagem clara e acessível
- Indicado para a preparação de testes de avaliação e Exame Nacional

Ano de Edição / Impressão / 2019
Número Páginas / 144
Dimensões / 232 x 10 x 155 mm
ISBN / 9789727994397
Editora / SEBENTA

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Resumos de História A
capa do livro Resumos de História A 11.º ano