19/06/2019

O quadro «Judite e Holofernes» de Caravaggio vai a leilão

A obra deverá entrar no mercado por um valor mínimo de 30 milhões de euros, mas espera-se que o preço final supere os 100 milhões de euros.
Judite e Holofernes, datado de 1607, desapareceu em 1617 e a sua existência tem sido comprovada por cartas entre comerciantes e pelo testemunho da época do pintor Louis Finson (1580-1617), amigo e agente de Caravaggio (1571-1610).
Marc Labarbe, proprietário da casa de leilões, localizou a obra, em bom estado de conservação, no sótão de um cliente que desconhecia a origem do quadro.
Os especialistas, na avaliação da pintura, consideraram «a qualidade dos traços» como fator determinante da autoria de Caravaggio, ainda que a «autenticidade» tenha levantado algumas dúvidas.
Judite e Holofernes, um quadro de inspiração bíblica que representa a decapitação do general Holofernes, já passou em exposição por Milão, Londres e Nova Iorque, e encontra-se agora em Toulouse.
O Palácio Barberini, em Roma, possui na sua coleção uma pintura anterior de Caravaggio, dedicada ao mesmo tema - Judite decapitando Holofernes -, que se encontra datada de c. 1599, e que constitui um dos mais conhecidos quadros do pintor.
O leilão vai decorrer no dia 27 de junho.
Caravaggio
Caravaggio, Judite e Holofernes, 1607

Fra Angelico no Museu do Prado

Um artista com uma técnica exímia que gostava de experimentar. Um homem que escolheu a vida religiosa e que pregou pintando. Fra Angelico e os seus contemporâneos estão em Madrid e com eles está um tempo novo a que se chamou Renascimento. No Museu do Prado, até 15 de Setembro.
A mostra aborda os inícios do Renascimento florentino em torno a 1420 e 1430, com especial destaque para a figura do pintor Fra Angelico, um dos grandes mestres deste movimento.
Fra Angelico (1390 – 1455) foi o autor das primeiras grandes obras artísticas realizadas em Florença durante este período, juntamente com os pintores Massaccio (1401-1428), Masolino (1383-1447), Uccello (1397-1475) e Filippo Lippi (1406-1469), os escultores Ghiberti, Donatello (1386-1466) e Nanni di Banco (1385-1421), e o arquiteto Brunelleschi (1377-1446).
O pintor e frade dominicano nasceu em Florença em 1390, sendo batizado Guido di Pietro da Mugello. Homem de extraordinária devoção, o artista ficou conhecido como Fra Angélico pela sua temática religiosa e pela serenidade que transmitem as personagens das suas obras. Mais de cinco séculos depois do seu falecimento, em 1455, Fra Angelico foi beatificado por João Paulo II em 1982.
A Anunciação será a obra central desta exposição, que reunirá também outras duas pinturas de Fra Angelico recentemente incorporadas à coleção do museu: o Funeral de Santo António Abade e a Virgem de Granada, ambas procedentes das coleções do duque de Alba.
Anunciação
Fra Angelico, A Anunciação,  Ouro e têmpera sobre madeira. 194 x 194 cm
Funeral de Santo António Abade
Fra Angelico, Funeral de Santo António Abade, Têmpera sobre madeira de choupo, 19,7 x 29,3 cm

18/06/2019

Fialho de Almeida descreve quadro de Silva Porto

«Abanco em frente do grande quadro de carneiros que passa por ser uma das coisas capitais de Silva Porto: bocado de dois metros, onde, por uma azinhaga esboroenta dos calores de agosto, vem uns carneiros, um burro e um pastor. Na barreira da esquerda há uns silvados, piteiras à direita, e acima desta uma oliveira ferrugenta comida pela poeira, queimada dos ardores do sol e pondo uma silhueta doente, hostil, num céu de trovoada. Toda a figuração da cena é escrupulosamente composta do modelo, é tão autêntica a poeira do fundo que uma pessoa a chegar-se e a ficar com o casaco branco dela. Pode-se estudar também cada acessoriozinho, da pintura, está tudo exato, no seu lugar, com uma factura tão nítida, e uma consciência do minúsculo por tal forma escrupulosa que é impossível destrinçar na lã dos carneiros fios que não seja pura lã, e na ramada das silvas folha que não tenha sido vista ao microscópio.
Fotografa-se agora a tela e tão exata é a cópia que pelo cliché não há meio de apurar se a máquina apontava a um quadro, ou se visou realmente uma cena natural.»

(Fialho de Almeida, 1893)
Fialho de Almeida

Silva Porto, Conduzindo o rebanho, (óleo sobre tela, 1600 x 2000 mm), 1893 

Fado - uma tela de Malhoa

Na penumbra de um quarto de meretriz, entre o vinho e o fado, Adelaide e o tocador Amâncio cantam a sua tristeza. A tela apresenta uma composição cenográfica atenta, cheia de pormenores como os quadros dos santinhos na parede, a cómoda com toalha de ramagens vermelhas e outra de crochet por cima, o vaso de manjerico, o toucador de espelho partido, o pente e, no próprio fadista, a «beata» na orelha.
Durante quatro meses o pintor percorreu os bairros de Alfama, Mouraria e Bairro Alto, em busca de modelos, tentando inteirar-se do ambiente. Retrata os seus inícios obscuros e marginais do fado, o que remete a pintura para uma temática do realismo.
José Malhoa
José Malhoa, Fado, 1910,  óleo sobre tela, 150x183 cm.


As pinturas de Carlos Reis no Museu Municipal de Torres Novas

As 26 obras de Carlos Reis expostas no Museu Municipal de Torres Novas, que ostenta o seu nome como patrono, são exemplificativas da dupla qualidade de paisagista e retratista. Em exposição permanente estão 23 pinturas que abrangem os géneros: paisagem (9), costumes (9), retrato (5).
Carlos Reis nasceu em Torres Novas a 21 de Fevereiro de 1863. Fez a instrução primária nesta cidade e, em 1881, fez a sua inscrição na Escola de Belas Artes de Lisboa. Concluiu o curso em 1889 e obteve do Estado uma bolsa de estudo que lhe permitiu seguir para Paris para frequentar a Escola de Belas Artes e os ateliers de mestres conceituados. Em 1897, já em Portugal, toma posse da cadeira de Paisagem na Escola de Belas Artes de Lisboa, onde inicia uma longa carreira docente e é jubilado e nomeado professor honorário em 1933.
Profundamente influenciado pela corrente naturalista, nomeadamente prolongando a lição da escola de Barbizon, nomeadamente de Corot (1796-1875) e Daubigny (1817-1878), foi um pintor notável pela sua aptidão para transmitir luminosidades. É autor de numerosos quadros, alguns de grandes dimensões, como os painéis decorativos da Sala de Baile do Hotel do Buçaco e um retrato de D. Carlos, que se encontra no paço de Vila Viçosa. Outra obra de relevo encontra-se na Sala do Senado do Palácio de S. Bento. Pintou também retratos da realeza e nobreza contemporânea, bem como cenas da vida quotidiana do povo português nos seus aspectos típicos, bodas e festas. São disso exemplo, «Uma Saúde aos Noivos», a «Talha Vidrada» e o «Primeiro Filho». A sua pintura, cheia de luz e cor, é sobretudo inspirada na natureza, como se pode admirar por exemplo, em «Raios de Sol Ardente» e «Pôr-do-Sol». É também considerado o mágico do branco, para comunicar as transparências da luz como as de «Primeira Comunhão», «Asas e Comungantes».
Exerceu o cargo de director do Museu Nacional de Belas Artes e depois do Museu Nacional de Arte Contemporânea (1911-1914) onde está amplamente representado. Em 1940, ano da sua morte, foi-lhe concedida a Grã-Cruz da Ordem de Santiago e, em 1942, é atribuído o seu nome ao Museu Municipal de Torres Novas.
Asas
Carlos Reis, Asas, s.d., Museu Municipal Carlos Reis (Torres Novas) 
Talha Vidrada
Carlos Reis, Talha Vidrada, Museu Municipal Carlos Reis (Torres Novas)
 

A Sagrada Família será terminada


A Sagrada Família, uma das obras mais conhecidas da cidade de Barcelona, recebeu a licença para que as suas obras de construção sejam terminadas, isto 137 anos depois da primeira pedra da basílica ter sido ali colocada.
A basílica da Sagrada Família começou a ser construída em 1882. Com um estilo neogótico desenhado pelo arquiteto Francisco de Paula del Villar y Lorazo, Gaudí avançou com o seu olhar único para o projeto depois de Francisco se ter reformado. A igreja rapidamente se tornou a obra-prima do artista catalão. Gaudí supervisionou as obras entre 1882 e junho de 1926, data em que faleceu e foi sepultado na capela da Sagrada Família. As obras nunca chegaram a ser concluídas, apesar de continuarem a decorrer aos poucos e de já se ter passado quase um século desde a morte do artista.
É, até hoje, um dos monumentos turísticos mais concorridos em Espanha, com 4,5 milhões de visitas anuais ao seu interior e cerca de 20 milhões que a admiram de fora. Em 2013, o arquiteto responsável por completar projeto de Gaudí dizia que, se o ritmo continuasse assim, estará concluído em 2026.
Barcelona
Sagrada Família, Barcelona, 1882-1926
Barcelona
Sagrada Família, Barcelona, 1882-1926