16/06/2026

Formação do rio Eufrates a partir de dois sistemas fluviais distintos

O Eufrates moldou a geologia da Ásia ocidental durante milhões de anos e, segundo com um novo estudo, este rio pode ter-se formado há 3,6 milhões de anos a partir de dois sistemas fluviais distintos.

Compreender a evolução deste curso de água, que se estende por cerca de 3000 quilómetros desde a Turquia até ao golfo Pérsico, é crucial para traçar o desenvolvimento subsequente das sociedades que floresceram nas suas planícies aluviais.

O Eufrates “originou-se de dois sistemas fluviais distintos que desaguaram brevemente numa bacia marinha, atravessaram quatro placas tectónicas, convergiram e finalmente desaguaram num golfo”. Especificamente, o estudo sugere que dois rios, o Paleo-Karasu e o Paleo-Murat, fluíam pelo que são hoje a Turquia e a Síria, desaguando numa bacia do mar Mediterrâneo que tinha secado parcialmente durante a crise de salinidade do Messiniano. A causa desta crise, que ocorreu entre há 5,97 e 5,33 milhões de anos, foi o encerramento da ligação entre o mar Mediterrâneo e o oceano Atlântico devido à atividade tectónica que fez com que o Paleo-Murat se deslocasse para sudeste, em direcção ao golfo Pérsico, e que o Paleo-Karasu se juntou algum tempo depois. Estes desvios acabaram por criar um único sistema fluvial que se tornou o actual rio Eufrates, que desagua no golfo Pérsico, levando potencialmente ao desenvolvimento do Crescente Fértil.

Mesmo no topo da imagem, lado a lado, o Paleo-Karasu (à esquerda) e o Paleo-Murat

18/06/2025

Hércules e Ônfale - obra de Artemisia Gentileschi

 Em Beirute, na parede do palácio de Sursock, estava uma pintura de grandes dimensões representando Hércules e Ônfale, rainha da Lídia, de quem o herói grego foi escravo, quando a 4 de agosto de 2020 uma explosão no porto da capital libanesa matou mais de 200 pessoas e deixou a tela seriamente danificada, coberta de estilhaços de madeira e vidro. Depois de ter sido submetida a um processo de restauro vários historiadores de arte concordam com a teoria do historiador da arte libanês Gregory Buchakjian, que acredita tratar-se de uma obra de Artemisia Gentileschi (1593-1656).


Hércules e Ônfale

27/06/2024

Dólmen de Santa Inês em Segóvia

A descoberta do túmulo do corredor de Santa Inês em Bernardos (Segóvia), a norte da serra de Guadarrama, abre novas expectativas sobre a distribuição espacial do megalitismo no planalto espanhol.
Mapa geral de localização. O ponto rodeado com um círculo assinala o dólmen de Santa Inês.


25/06/2024

O Complexo Arqueológico dos Perdigões

Na arquitetura monumental e cerimonial da Pré-História recente da Península Ibérica, a madeira tem sido considerada fundamentalmente como matéria-prima acessória à construção. O complexo arqueológico dos Perdigões, situado em Reguengos de Monsaraz, evidencia a presença de monumentos em madeira. São círculos concêntricos de postes e paliçadas de madeira, exclusivos da Península Ibérica, e que encontram os paralelos mais próximos no norte e centro da Europa. Têm sido publicados estudos sobre a importância que este tipo de arquitetura monumental poderá ter tido no contexto das trajetórias de complexidade social na segunda metade do IV e III milénio antes de Cristo.

Complexo arqueológico dos Perdigões, reconstituição National Geographic Portugal
Plano da secção norte do círculo de madeira.



24/06/2024

Retrato com a família do segundo Marquês de Pombal

Pintura em aguarela com a «Família do segundo Marquês de Pombal» foi adquirido pelo Estado. A autoria foi atribuída ao pintor francês Nicolas Louis Albert Delerive (1755-1818) e a data da sua realização será de c. 1792-1794. Os retratos de família neste período são raros. Neste caso temos uma cena de interior com interessantes pormenores iconográficos de uma casa aristocrática do final do século XVIII.

Hugo Miguell Crespo e Lourenço Correia de Matos investigaram e indicam todos os pormenores importantes para a datação, execução e identificação dos retratados.

https://vimeo.com/948778571

Pintura com a família do Marquês de Pombal de Nicolas Louis Albert Delerive, c. 1790
60,5cm x 47cm 

14/06/2024

O dia 10 de junho - dia de Camões

Esta data está identificada com a figura de Camões, que é o símbolo da nação desde o século XIX. Uma figura que emerge no contexto da mitologia nacional criada pelos românticos e que se transforma num símbolo da nação. Oliveira Martins afirmou que Camões é o epónimo de Portugal. Teófilo Braga, escreveu que se dissermos que somos portugueses no estrangeiro, ninguém nos identifica. Mas, se dissermos que somos da pátria de Camões, já nos identificam.

Nas comemorações do tricentenário da morte de Camões, em 1880, os republicanos e, nomeadamente, Teófilo Braga, que tinha importado as conceções positivistas de Auguste Comte para Portugal, entendia que era importante substituir os símbolos religiosos por laicos. Camões surge como um símbolo laico. Teófilo Braga foi o autor da ideia da comemoração do III centenário da morte de Camões, que cria as bases para que o 10 de Junho pudesse vir a ser feriado nacional. 

Os republicanos impuseram um modelo de celebrações importado da França e da Revolução Francesa, o que fez com que os monárquicos e a própria Corte tivessem hesitado no modelo das comemorações sem desconfiarem da figura de Camões. A ideia de que na época iria haver uma procissão cívica no 10 de Junho era uma apropriação de rituais religiosos que foram, desta forma, laicizados.

O regime republicano homenageou a data, tornando o dia feriado na capital. Ao longo dos anos, as comemorações do dia 10 de junho foram variando consoante as circunstâncias políticas. Em 1917, a data foi celebrada como Dia dos Aliados, porque a I Guerra Mundial mobilizava a atenção de todos. E em 1924, quando se celebrou o IV centenário do nascimento de Camões, o 10 de Junho foi a data escolhida. A imprensa da época utilizava a expressão «Festa da Raça» para as comemorações camonianas, e o sentido do termo «raça» era vago e identificava-se com o próprio povo português. A celebração durou seis dias e teve repercussão no estrangeiro, em especial em Espanha.