Eduardo I de Inglaterra (1239 –1307), conhecido como Eduardo Pernas Longas e o Martelo dos Escoceses (Malleus Scotorum), foi rei da Inglaterra de 1272 a 1307. Simultaneamente, foi Senhor da Irlanda e, de 1254 a 1306, governou a Gasconha como Duque da Aquitânia, na sua condição de vassalo do rei francês. Filho mais velho de Henrique III (1207-1272), envolveu-se nas intrigas políticas do reinado de seu pai. Em 1259, apoiou brevemente um movimento de reforma baronial, defendendo as Provisões de Oxford. Após a reconciliação com o pai, manteve-se leal durante todo o conflito subsequente, conhecido como a «Segunda Guerra dos Barões». Após a «Batalha de Lewes», Eduardo foi feito refém pelos barões rebeldes, mas escapou depois de alguns meses e derrotou o líder baronial Simon de Montfort na «Batalha de Evesham» em 1265. Em dois anos, a rebelião foi extinta e, com a Inglaterra pacificada, Eduardo partiu para se juntar à Nona Cruzada à Terra Santa (1270). Regressava a Inglaterra em 1272 quando foi informado da morte de seu pai. Chegou ao reino inglês em 1274 e foi coroado na Abadia de Westminster.
Durante o seu reinado reformou a administração real e o direito consuetudinário. Analisou a posse de diversas liberdades e privilégios feudais. A lei foi reformada por estatutos que regulamentavam o direito penal e a propriedade, mas a atenção do rei voltou-se cada vez mais para os assuntos militares. Após suprimir um conflito menor no País de Gales em 1276-77, respondeu a um segundo conflito em 1282-83 conquistando o País de Gales. Estabeleceu o domínio inglês, construiu castelos e cidades no interior e povoou-as com ingleses. Após a morte do herdeiro do trono escocês, foi convidado a arbitrar uma disputa de sucessão. Reivindicou a suserania feudal sobre a Escócia e invadiu o país, originando a Primeira Guerra de Independência Escocesa que continuou após a sua morte. Simultaneamente, iniciou uma guerra com a França (aliada da Escócia) depois que o rei Filipe IV confiscou o Ducado da Gasconha. O ducado foi recuperado, mas o conflito aliviou a pressão militar inglesa sobre a Escócia. Em meados da década de 1290, extensas campanhas militares exigiam altos níveis de tributação, o que encontrou oposição tanto de leigos quanto de membros da Igreja na Inglaterra. Na Irlanda, extraiu soldados, mantimentos e dinheiro, deixando para trás decadência, anarquia e o ressurgimento da fortuna dos inimigos nos territórios gaélicos. Quando morreu, em 1307, legou ao seu filho, Eduardo II, uma guerra contra a Escócia e outros encargos financeiros e políticos.
O temperamento forte e a estatura de Eduardo (1,88 m) faziam dele uma figura intimidadora. Frequentemente inspirava medo, embora gozasse do respeito de seus súditos pela maneira como personificava o ideal medieval de realeza como soldado, administrador e homem de fé. Os historiadores modernos divergem na sua avaliação. É elogiado pela contribuição para o direito e a administração e criticado pela sua postura intransigente em relação aos privilégios da aristocracia. Eduardo é reconhecido por muitas realizações, incluindo a restauração da autoridade real após o reinado de Henrique III e o estabelecimento do Parlamento como uma instituição permanente, o que permitiu um sistema funcional para arrecadar impostos e reformar a lei por meio de estatutos. Ao mesmo tempo, ele é frequentemente condenado por vingança, oportunismo e falta de confiabilidade em suas relações com o País de Gales e a Escócia, juntamente com uma abordagem colonialista em relação à governança desses países e da Irlanda, e por políticas antissemitas que levaram ao Édito de Expulsão de 1290, que expulsou todos os judeus da Inglaterra.





