Na imaginação popular, os vikings eram guerreiros
escandinavos robustos de cabelos louros que saqueavam as costas do norte da
Europa em inovadores navios de guerra. Permanece um persistente mito moderno de
que os vikings eram um grupo étnico ou regional distinto de pessoas e com uma
linhagem genética «pura». Como o icónico capacete "Viking", esta
ideia é uma ficção que surgiu com os movimentos nacionalistas do final do
século XIX. Um extenso estudo de ADN antigo publicado na revista Nature revela
a diversidade genética das pessoas que chamamos de vikings, confirmando e
enriquecendo o que as evidências históricas e arqueológicas já sugeriram sobre
este grupo de guerreiros, comerciantes e exploradores.
Este estudo reúne dados genéticos de 442 humanos cujos
restos mortais datam de cerca de 2.400 a.C. a 1600 d.C. - todos enterrados em
áreas onde se sabe que existiu presença dos vikings. Alguns estavam localizados
lugares como a Gronelândia, por onde viajavam, e outros foram enterrados com
artefactos de origem escandinava (moedas, armas e até barcos inteiros).
Foi um desafio logístico reunir as centenas de amostras
antigas, provenientes de mais de 80 sítios arqueológicos no norte da Europa,
Itália e Gronelândia. Em seguida, decorreu a tarefa de analisar o grande volume
de informações extraídas dos restos mortais.
A análise de ADN revelou que os vikings eram um grupo humano
diversificado, com ancestrais de caçadores-recolectores, camponeses e
populações da estepe da Eurásia.
Embora os vikings tenham saído da Escandinávia e, em alguns
casos, voltado para casa, a análise genética revela que eles não interagiram
tanto dentro da grande região escandinava como fora dela, misturando-se com uma
ampla gama de povos que encontraram nas suas viagens.
Em síntese, os resultados provam que o fenómeno Viking não
era puramente escandinavo. Tem suas origens na Escandinávia, mas, ao longo do
tempo, associa-se a outros grupos de pessoas.
Recurso educativo sobre os vikings
https://www.nationalgeographic.com/history/2020/09/scientists-raid-viking-dna-explore-genetic-roots/
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| Vestígios
de cemitérios viking, como este local de sepulturas em forma de navio perto de
Aalborg (Dinamarca), fornecem evidências genéticas importantes para a
compreensão destes antigos navegantes |
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| Artefactos
vikings, neste caso espadas e elmos localizados na Noruega, ajudam os
arqueólogos a rastrear suas expedições antigas |
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| O ADN
de um esqueleto feminino chamado Kata, descoberto num cemitério viking em
Varnhem (Suécia) foi sequenciado como parte do estudo da Nature |
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| Os atores
vestem armaduras preparando-se para o combate corpo-a-corpo durante o Festival
de Eslavos e Vikings em Wolin (Polónia) |